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日志


2006/5/25

FERIDA

FERIDA

 

 

A dor não queria conhecer

Muito menos lembrar

Você parecia gostar

De sofrer

 

A cada esquina

Inventava uma armadilha

Para cair e se machucar.

 

A ferida se tornou um vício

Desejado . Disputado.

Uma roleta russa

Onde sempre, um perdedor : você

 

Estranho  prazer

Alquimia invertida

Para esconder a culpa

De seu desejo oculto

 

Sinistro, traiçoeiro

Felino selvagem

Atraente e indecifrável

Víbora vingativa

Ferindo-se com o próprio fel.

 

 

2006/4/3

Paisagem

 

CLIC

 

Se pudesse

Te dava  esse entardecer

Numa moldura

 

MINHA LOUCURA

 

 Dias mornos

Não saio da linha

Mantenho o equilíbrio

 

Súbita brisa de loucura me invade

Sopro de Afrodite

A buscar vida

 

Desconfio dos sentimentos

Presos a um compromisso imaginário

Traçados de uma linha

Sem significado

 

Ó brisa misteriosa

Envolve minha mente

Inebriando-a com o odor da aventura...

 

Fico firme

Resisto aos seus encantos

Mas a noite chega

E em sonhos

Me lanço em seus mares

Experimentando delícias secretas
2006/4/2

CERIMÕNIA DO CHÁ

 

 

Coleciono bules de porcelana

E quimonos de gueixa

Com minúcia, escolho aromas

Jogos de sorte

 

Experimento sabores

Descubro intenções veladas

Teço tramas sutis

Em tardes nubladas

 

Convido-o para o chá

Ofereço-lhe uma sinergia de laranja e cravos

Com gotas de canela e hortelã

 

Vivaldi

Emoldura nossa conversa

Pontuada de hiatos

Aguardamos o sinal de Eros....

 

 

2006/4/1

Insight

 
 
 

SEU BEIJO  DESMEDIDO

ME LEVA AO INFINITO

 

SEU TOQUE INDECENTE

DESNUDA MINHA ALMA

 

 
2006/3/25

poesia

                                                         

 

 

MEIA DE SEDA

 

 

 

Prazer singular

Transborda-me

Ao vestir uma meia de seda

 

Se rasga ao toque de minhas unhas,

sinto um excitante calafrio,

um prenúncio maldito

 

Sei lá porque

Minhas meias de seda

Escondem desejos proibidos

Antevendo momentos secretos

 

Meias de seda

A vagar em minhas fantasias

Como testemunhas de intimidades

A me relembrar quem sou

2006/3/22

Fragmentos de livro

 
Na aldeia
 
 

Vamos Pit, que preguiça é essa? Zuca sacudiu a rede.

Kiné escorregou por ela e me entregou um hibiscus vermelho. Era o gesto de anunciar que sua irmã tinha ido para a cabana das meninas que estavam prestes a sangrar.

 

...Sangrar...Foi o que senti naquela tarde...

Ah, Kinézinho, me dá um abraço. Me leva pra esse mundo de algodão doce onde possa pular, pular sem me machucar.

 

Um duni te. Uni duni te

 

A alegria dos curumins invade minha rede. Hora de despertar. O sono faz peso em minhas pálpebras. Uma frestra no olhar, e posso ver Zuca me esperando na soleira da cabana. Dia marcado para subir o rio Indaiá.

 

Salame mingúê. Um sorvete colorê.

 

Ah, crianças,,,Como eu, um dia, Háquanto tempo a alegria me deixou? Foi em agosto. Meu pai saiu. A tarde fez sombra na minha alegria.

 

Kiné, kiné, indinho caboclo, sorriso mestiço, sempre á cata de uma formiga.

 

Zuca  parece impaciente. É melhor me apressar.

 

Lá fora, a mãe de Kiné atravessa a praça com uma travessa de tapioca. Braços fortes de tanto socar pilão. Kiriana, a mãe de todos os curumins. Final de tarde, dança com eles a dança dos pitiaçus, onde sapo vira cobra e a cobra jabuti.

Dançar e pescar é a felicidade para os índios.

 

Hora de partir. Kiriama presenteia Pit com a tapioca. Subiria o Rio e não voltaria mais à aldeia. O ruído do motor acena para ela. O bote deixa para trás a aldeia. Avança pelo rio serpenteando as águas espelhadas, onde as franjas dos cipós se banham.

 

 

................................................................................................................................

 

O bote se aproximou da clareira. No delta do rio havia uma curva á direita que nos levou para uma pequena baía . A água mais escura, os cipós fechavam a vegetação. Aves chegavam alvoroçadas, aos bandos, procurando um recanto nas árvores para esperar o anoitecer. Nem notavam nossa presença. Zuca direcionou o bote para a margem onde Tuiuki fazia sinal com uma bandeirola colorida.

O sol caía avermelhando o céu e silhuetando as copas das árvores. Começa a esfriar.

 

Chegamos ao acampamento. Uma fogueira trazia calor às nossas almas, nos diatraindo da solidão que sempre batia ás nossas portas, no início da noite, com o pio das corujas.

 

-Olá Tainá? Cadê Tuiuki?

 

-         Desde que voltou se enfiou na cabana.

 

Tainá não sabia explicar porque desde a última lua cheia, a tristeza tinha roubado o sorriso de Tuiuki. Andava esquisito. Molengava para a pesca. Não tinha mais gosto em cantar. Olhava de longe a chama da fogueira

 

-         “Sei não.  Kiriana, mãe de Kiné contou que a lua é feiticeira e gosta de encanta pru bem. Mas tem gente que se encanta pru mal, e fica dipindurado nela. A lua vai embora e leva a alma da pessoa juntu. Tem vez, qui ela num vorta nunca mais. Tem vez que traz de volta no mês siguinte”.Tuiuki ta esperandu a lua vortá.”

 

Não tinha o que dizer. Tuiuki sempre fora tão alegre.

 

Sapo jururu, na beira do lago...quando o sapo grita, maninha, é porque está com frio, cantou Tainá, ninando Kiti, em seu cestinho pendurado na cabana.

 

O cheiro do fubá cozido tomava conta do acampamanto.Enrolada na manta de

Xadrez, presente de Zuca. Pit  foi levada pelo cheiro do bolo pras suas tardes

na fazenda logo após a morte de seu pai, quando a Veinha lhe oferecia broas de milho com chá de erva doce tentando aliviar sua dor.

 

-Dona Pit? Seu Zuca  pediu pra lhe avisar que está tudo pronto pra caminhada de amanhã. Tainá ta chamando pro jantar.

 

O acampamento tinha uma cabana central, com uma grande mesa. Era sempre na hora da ceia, que Pit se encontrava com outros pesquisadores que faziam  o pernoite lá, antes de entrar na mata.

 

 

-San, esta é Filipa. Chegou há pouco. Marcou com o Flávio, aqui.

 

-Bem vinda à mata ! Foi bem de viagem? Perguntou Pit.  Filipa sorriu . Olhou para a fila do buffet e se dirigiu para lá.

 

“Namorada de Flávio? Tão nova. E tão urbana. O que vem buscar uma menina dessas aqui? Aventura? Esse Flávio sempre se metendo em encrenca.Tinha me jurado não trazê-lo mais, desde a confusão do ano passado com Juacê. Mas já são tantos que estamos juntos... Mas dessa vez eu não meto. Chega.”

 

(continua  outro dia.....................................aguarde.................)

 

 

 

 

 

 

2006/3/20

Inevitável a separação

 

 

Inevitável a separação. Um rito difícil e mobilizador. Separar-me de alguém que amei. Não queria que ficasse em mim, a triste imagem dos piores momentos, Por isso , quando me perguntou: Vai ser demorado? Tenho que levar muitos jornais e te olhar à distância, por um pequeno furo em suas páginas? Não, respondi, leve o livro de Borges. Qual dos dois, rapidamente indagou? Qualquer um. Mas leve.

Afinal, quantas noites não foram únicas, quando me interrompia no meio de meus projetos para escutar sua leitura das poesias de Borges, declamadas com sotaque portenho. Isto vou recordar como uma renda fina esquecida nas minhas lembranças. Um intrigante percurso, como “uma busquela” de si, do estrangeiro perdido em terra estranha . O “espejo” de Borges anunciava um homem fragmentado com medo da própria velhice. Eram plenas aquelas noites que me convidavam a gostar de poesia.

Hoje pela manhã, a rádio tocou aquela música do John Secada que falava de nós; “Sabe, entendo a vida no ritmo desta música., você declarou, naquele junho de 95. Também queria a vida assim, E como tentamos, não foi? Á tarde, outra vez a música  da novela das seis lembrou o nosso encontro. O mesmo Sting que ouvímos pela manhã , antes de ir ao cartório, assinar o SIM. A mesma esperança daqueles dias me invadiu.

Percebi que as músicas continuavam lindas e românticas, como a vida. Só nós mudamos e permitimos à nossa loucura, perder o tom. E os tangos às alturas?

Lembra quando ouvíamos até de madrugada? E você se emocionava e saía ligando pra todos os seus amigos?  Pois é. Ontem no meio de um show, Astor Piazzola . Lágrimas brotaram. Senti minha ligação antiga com sua terra. O som me levou outra vez a La Boca, como aos meus vinte anos. Estava lá. Numa rua ensolarada com casas de paredes amarelas “sol caliente” e janelas vermelhas. Caminhei por ela como numa miragem. Não queria mais chorar por nenhum amor. E à noite Borges me acompanhou, apresentando com sua poesia um convite a viver.

 

INSTANTES

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, seria mais relaxado.
Seria mais bobo do que fui;
na verdade encararia muito poucas coisas com seriedade.

Seria menos higiênico,
correria mais riscos,
faria mais viagens,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais em rios.

Iria mais a lugares a que nunca tivesse ido.
Comeria mais sorvetes e menos verduras.
Teria mais problemas reais e menos imaginários.

Eu fui dessas pessoas que viveu sensata
e corretamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria
.

Mas se eu pudesse voltar atrás,
procuraria apenas ter bons momentos.
Se não sabem, disso é que é feita a vida,
somente de momentos. Não percam o agora.

Eu fui uma dessas pessoas que nunca ia a parte alguma
sem levar um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um esparadrapo;

Se pudesse voltar a viver,
viajaria mais levianamente.
Se pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no princípio da primavera
e seguiria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na calçada,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria mais com as crianças;
se tivesse outra vez a vida pela frente ...

Mas já se vai, tenho 85 anos e estou morrendo. “

 

Lembra quantas vezes lemos esta? Como justificava nosso estilo de viver a todo vapor... Desci de minhas lembranças e me olhei. Ainda tenho tempo. Obrigada querido por me trazer Borges. Sua poesia lançou de novo a esperança no meu horizonte. Por favor, amanhã, não esqueça de levar ao Fórum, o livro de Borges....

 

2006/3/14

CARTA DE ALFORRIA

 

 

A tarde cai. Sinto uma leve dor no peito – dor de coração sem dono. Assim aprendi desde pequena a entender o amor. “De quem é seu coração?”...

Do papai! E depois do fulano, do sicrano e de ninguém. Mas quase nunca meu. Por isso talvez muitas vezes senti-me sem coração... Desalmada....

 

Assim aconteceu hoje á tarde. Vazia, com um coração vagando, qual cachorro vagabundo. Isto é solidão? Tive medo e uma sombra passou por mim.

 

Por que fui justo ler a crônica da Clarice Lispector, sobre o sonho da fantasia rosa? E sentir com ela o desencanto ao ter que ir à farmácia para sua mãe, no momento exato em que pela primeira vez , vestida com sua fantasia de rosa, de cor rosa, conheceu o prazer. Quantas vezes me senti assim, na infância. Pronta para gozar, invadida por um tapa de uma súbita inveja. Ou uma frase jocosa, sem graça e de mau gosto. Sem permissão para ser feliz.

Eu já era feliz... Não, felicidade deve ser um bem comum, jamais regalia... Mas como? É preciso talento para se encostar o dedo na felicidade!, pensava. Eu sabia disso! Assim como achava que podia! Mas ali estavam eles, medíocres de gozo a azedar meus sonhos.

 

Muitas vezes, em momentos de súbita felicidade, sentia uma ameaça...

Acostumei com isso. Será? Permiti isso. Talvez!?! Pensava que era mais fácil não ter experimentado nunca a sensação de que cheguei perto.

 

Certos dias, para mim, eram iguais aos de hoje. Ao entardecer, sentia um prenúncio de medo, se ouvisse a Ave Maria no rádio.Uma onda de nostalgia me invadia acompanhada de um rasgo fino no peito . Uma solidão pendurada e esquecida. Como nos dias em que não tinha ninguém pra brincar. E minha mãe dizia: “brinca sozinha”, faz como seu irmão....

Onde já se viu ter graça brincar sozinha? Brincar sozinha era coisa de gente triste.

 

Cresci com medo de sentir solidão. E aí me enxerguei só. Um coração sem dono. O meu coração. E entendi que não queria mais nenhum dono pro meu coração.

 

 Queria ser eu mesma, a dona do meu coração.

oração. Ser dona. Que ótica diferente... Meu coração passar a servir a mim.

Muito sensato.

 

“Você gosta de mim? Você me ama? Então você tem que....”, êle falou..

 

Tem que....o que?!?! respondi.

Não tenho mais nada! Já não chega gostar? Amar?

Já é o bastante ! Mas agora, esse negócio de tem que....

 

“ Que mulher sem coração”, chantageou.

 

Virei as costas.

 

Sei muito bem o que é ter coração... Só que meu coração ganhou de mim, carta de alforria.

 

 

 

 

 

 

 

 

2006/3/8

Poesia

INDAGAÇÕES SOBRE O FEMININO

 

 

 

Existe algo que se chama feminino?

Ou existe um toque róseo na vida

Que queremos nomear

Aprisionar

Mas a vida em sua essência

Não se deixa agarrar

 

 

Fé, menino

Fé?

Em que?

No rosa, na rosa

No róseo do ser?

 

Belo,

Solto,

Vida.

 

Mas existe o feminino?

Como algo desprendido do ser?

Ou é apenas a descoberta

Da essência

Ela,

A chama,

O prazer.

Indagações de Clarinha

 A porta não abria. Certamente uma mulher triste e chorosa se refugiava ali. Trancada. Com vergonha de seu destino fiado com tanta delicadeza. A mesma com que colhia lírios amarelos para enfeitar sua casa às sextas feiras para  esperar o marido na casa de campo. Clarinha fazia ponto na porta e sonhava um dia  resgatar sua mãe de toda aquela desilusão escondida. Gente grande, não dá pra entender, pensava. Sua mãe tinha tudo. Até marido apaixonado, coisa que parecia raro naquela época onde a moda era ter amante. Ninguém se separava. Mas nem todos casamentos davam certo. Então volta e meia surgia uma fofoca de  traição. Mas na sua casa não. Mas será que um dia aquela tristeza podia vazar na mesa do jantar? E aí? Clarinha tinha medo. Não queria ver ninguém separado. Logo seus pais que pareciam dois pombinhos.

 

Aquela mãe linda e suave que parecia ter saído de um conto de fada e agora vivia no porão da bruxa. Era assim que Clarinha via aquele quarto trancado. Como as mulheres são idiotas... pensava. Nunca seria assim. Submissa. Toda mulher doce era oprimida?

 

                       

2006/3/6

BODAS

BODAS

por Claudia Miranda

 

 

Girou a chave. O carro esquentou. Arrancou. Merda. Que bosta de trânsito. Logo hoje? Tanta coisa pra fazer. O vestido, cabelo. Afinal, não se faz Bodas de Prata todos os dias.

Vai te foder!!!!Freou. Passar na igreja e reunião na Pérgula do Copa. Nossa, tudo igual. Mas tinha que ser. Só que agora com sabor de vitória. E um  toque de vingança. É.....vingança sim.Daquele cretino que me fez pensar que nunca mais seria feliz. Sou feliz?

Mas me dei bem. Vou fazer tudo de novo ainda mais chique.  “Replay na fita, mãe?”diria Claire. Rosas chá, Minha Namorada de Vinicius, outra vez. Mas tô muito puta com ela! Onde já se viu pontuar que não sinto emoção? Filha da puta! Tudo bem que pago ela pra isso, vai. Mas pensar que porque é analista não é frustrada? O que tem eu viver assim sem emoção? Não me saio bem? Nunca deprimo.

Mulher não agüenta quando o marido da gente é legal. E trepa bem. Tá certo que eu peguei essa doença: frigidez da alma. Doença de mulher rica e de puta também. Cama quente sem emoção. Não largo a análise não sei porque.

Alô? Não querido, esta semana vai ser difícil. Homem não se convence. Não tinha dito que ia fazer abstinência de amante? Ela tem razão, é estranho mesmo que nem com amante eu me ligo.Não era assim. Ia aos céus com o Rodrigo. Filho da mãe! Depois foi ficando difícil e com o tempo piorou. Mas isso não vai estragar minha festa. Não posso esquecer de ligar pros meninos e combinar a entrada na igreja.Ah, filhotes queridos. Valeu ter criado vocês assim, não valeu? Não podem reclamar . Tiveram tudo. Uma família estruturada, conforto. Amor. Eu dei muito amor. Desse meu jeito, né?   Ah, mas amanhã  o dia vai ser perfeito.

Desligo o despertador, certamente haverá um lindo café , uma aliança de brilhantes e champagne. O sexo básico. Depois, a massagista chega, relaxo. Vou cancelar tudo. Nem pensar em ir a uma audiência. Fazer hoje as remessas de grana e confirmar com a Varig. Vai ser uma surpresa deliciosa.

Anda , paspalho! Caralho, o trânsito não anda! Nem posso parar de me imaginar subindo o altar. Quem faz bodas hoje em dia? Eu e o Roberto que eu conheça. Todos os amigos separaram. Ah, vou curtir muito.O primeiro dia do resto da minha vida. Vai ser muito divertido. Roberto reservou a suíte do Copa. Escandalosa.

 

A festa aconteceu como prevista. Uma hora da manhã, o serviço da suíte trouxe o champagne.Brindaram sua união. Lara foi olhar o mar. Roberto recostou-se no sofá.

Adormeceu.

-Alô? Por favor, um táxi. Suite 01

-Aeroporto Tom Jobim,  senhor .

Na Linha Vermelha, lembrou-se do vidro do sonífero. Graças a Deus, estava na bolsa. Ela merecia isto como prêmio. Roberto acharia outra. Seus filhos entenderiam. Estavam criados. Nem moravam mais no Brasil. O amante? Como se despedir de um amante ? Não teve como contar.

Na poltrona do avião, olhou o Corcovado e pediu a Deus, sorte.